Hallo, Leute! Wie geht’s?
Quando pensamos em Thomas Mann, é comum lembrarmos de seu Prêmio Nobel de Literatura, de obras como Os Buddenbrooks e A Montanha Mágica, e de sua importância na literatura alemã. No entanto, há um detalhe surpreendente na história desse gigante das letras: ele tinha sangue brasileiro — mais precisamente, paratiense.
As raízes brasileiras de Thomas Mann
Essa conexão vem de sua mãe, Júlia da Silva Bruhns, nascida em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, em 14 de agosto de 1851. Júlia era filha de Johann Ludwig Herrman Bruhns, um fazendeiro alemão com plantações entre Santos e o Rio, e de Maria Luísa da Silva, brasileira de ascendência portuguesa e indígena.
Durante a infância, Júlia viveu no casarão do Engenho Boa Vista, cercado por mar e Mata Atlântica. O local, construído no século XVIII, hoje é tombado pela cidade de Paraty como patrimônio histórico.
A trajetória de Júlia da Silva Bruhns
Entretanto, sua vida mudou cedo. Após perder a mãe ainda criança, Júlia foi enviada para a Alemanha aos seis anos, sem saber uma palavra de alemão. Cresceu em Lübeck, cidade natal de seus parentes, e, aos 17 anos, casou-se com o cônsul e senador Johann Heinrich Mann.
O casal teve cinco filhos — entre eles Heinrich e Thomas Mann, que se tornariam renomados escritores. De acordo com Frido Mann, neto de Thomas Mann, o autor foi “muito influenciado pela educação maternal, porque ela cantava, tocava piano e lia para ele”.
O Brasil na obra de Thomas Mann
Além disso, a brasilidade materna deixou marcas em sua literatura. Mann chegou a atribuir ao Brasil, em 1943, a designação de “terra mátria”. Inclusive, fez referência à terra natal da mãe em sua obra As Confissões do Impostor Felix Krull, evidenciando a presença da latinidade e da força passional em sua escrita.
Essa conexão também chamou a atenção de Sérgio Buarque de Holanda, que entrevistou Mann em Berlim após ele receber o Nobel, em 1929. Quando questionado sobre suas raízes brasileiras, Mann respondeu:
“O Brasil faz-me evocar, na verdade, alguns instantes deliciosos de minha infância e de minha mocidade. Recordo-me de que minha mãe, que era brasileira, e que nasceu em uma fazenda de café ou de açúcar, não me recordo bem, entretinha-me frequentemente sobre a beleza da Baía de Guanabara.”
Muito possivelmente, ele se referia à Baía de Paraty.
Thomas Mann em exílio e a consciência de sua brasilidade
Mais tarde, durante o exílio nos Estados Unidos — onde viveu perseguido pelo regime nazista e casado com uma judia — Mann foi até mesmo “acusado” de ter sangue judeu, pois possuía raízes “um quarto brasileiras”.
Foi nesse período que ele também teve contato com Érico Veríssimo. Em 1943, numa carta para o dramaturgo austríaco Karl Lustig-Prean, escreveu:
“Sempre estive consciente do sangue latino-americano que pulsa em minhas veias e bem sinto o quanto lhe devo como artista. Apenas uma certa corpulência desajeitada e conservadora de minha vida explica que eu ainda não tenha visitado o Brasil. A perda de minha pátria deveria constituir uma razão a mais para que eu conhecesse o país de minha mãe. Ainda chegará essa hora, espero.”
Curiosidades e convite à reflexão
E agora é com você: já conhecia essa conexão tropical na vida de Thomas Mann? Conte para a gente nos comentários se ficou surpreso, se já leu alguma obra dele — ou se ficou com vontade de conhecer Paraty e tomar um café lendo Buddenbrooks sob a sombra de uma mangueira.
Ah, e se você gosta de descobrir curiosidades como essa, treinar seu alemão e mergulhar em temas culturais de forma divertida, venha participar do nosso Clube de Alemão! Sua vaga está te esperando — só falta você!
Tschüss!


